Entenda o contraste entre a teologia evangélica e as políticas progressistas do Estado de Israel moderno. Descubra a origem do apoio dispensacionalista à Terra Santa e as diferenças entre Israel Estado/Israel Bíblico.
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Contraste entre Israel e Religião Evangélica
Em eventos evangélicos e manifestações bolsonaristas, tornou-se comum o uso da bandeira de Israel. Mas não só no Brasil, o uso do símbolo da Estrela de Davi em marchas religiosas também é comum em outros grupos protestantes ao redor do mundo.
Contudo, Israel se define como um estado judeu, com políticas legais de aborto e que sedia a maior parada LGBT+ do Oriente Médio, sendo um contraste à religião evangélica. Mesmo assim, grande parte do protestantismo ocidental enxerga Israel como a “Terra Santa”.
A princípio, pastores e teólogos explicam que o povo judeu é importante por ser quem deu origem ao cristianismo, e que por isso, eles ainda têm espaço no plano divino.
Sobre o judaísmo, a religião não enxerga Jesus como Messias, filho de Deus ou uma figura divina.
Relógio do Fim do Mundo e Bolsonarismo
No século 19, nos EUA, criou-se uma corrente da Igreja Evangélica chamada de “dispensacionalismo”, trazendo a ideia de que o Estado de Israel seria um sinal divino. Nesse pensamento, Deus faria com que o seu povo voltasse para a “terra prometida” antes do “fim do mundo”.
Para essa corrente, a criação do Estado de Israel, feita pela ONU em 1947/48, foi o 1º sinal. Os seguidores dessa ideia enxergam Israel como o “campo de batalha do fim do mundo”. Muitos protestantes fazem parte dessa corrente sem nem ao menos conhecê-la.
Dentro do bolsonarismo, entende-se que Bolsonaro soube trazer essas ideias para dentro da sua campanha. Onde ele coloca um holofote ao Estado de Israel, incorpora elementos do judaísmo e naturaliza o genocídio palestino, justificando uso de armas contra inocentes e até os cortes de alimentos e água para o povo Palestino.
No Brasil, o apoio à Israel como agenda política já existia até antes mesmo do Bolsonaro. Mas o bolsonarismo trouxe algo novo, a justificativa da violência pela religião, como uma batalha do “bem contra o mal”. Esse foi o conceito que se circulou dentro das igrejas evangélicas nos últimos anos.
A corrente do dispensacionalismo também foi influenciada por outras ideias evangélicas e sionistas. Muitos teólogos criticam o apoio incondicional dos evangélicos a Israel, por ignorar perspectivas históricas e até morais. Leia abaixo e descubra as reais origens e diferenças de Israel Estado para Israel Bíblico.
A Origem do Estado de Israel
A origem de Israel como estado nasce depois da 2.ª Guerra Mundial, quando surge a necessidade de dar abrigo aos judeus sobreviventes do Holocausto. Ao todo, foram mais de 6 milhões de judeus exterminados na Europa.
Ao mesmo tempo, pelas regiões de onde hoje são Israel e Palestina, populações judaicas e árabes viviam conflituosamente. Inicialmente, esses povos viviam de forma pacífica, mas desde a dissolução do Império Otomano e a dominação britânica, houve mudanças nessa coexistência.
O Governo Britânico havia prometido aquelas terras ao povo judeu durante a 1ª Guerra Mundial, buscando apoio contra o Império Otomano. Anos depois, em 1920, o Reino Unido assumiu formalmente o controle da região. Isso deu origem a uma imigração em massa de judeus da Europa para a Palestina.
Quando eclode o movimento sionista e chegam os eventos do final da 2.ª Guerra Mundial, o Reino Unido não consegue mais controlar a imigração ilegal de judeus e nem os conflitos armados da região da Palestina. Assim, o governo britânico entrega essa responsabilidade à ONU, que em 1947, cria um plano de partilha para esses territórios.
De início, foi dividido um estado árabe e outro judeu, em espaços de tamanho quase iguais. O problema estava no caráter demográfico da região, pois a população árabe era muito maior e ainda ocupava partes da fronteira do estado judeu.
No final, não houve aplicação prática de todas as medidas da ONU. Desde então, o Estado de Israel se firmou por meio de guerras, invasões e genocídios contra o povo árabe e palestino, além de ter recebido apoio e investimento pesado dos EUA nesses conflitos. Atualmente, Israel tem controle de 97% de todo o território.

Israel Bíblico
Na Bíblia, Israel significa “aquele que luta com Deus”, e esse nome teria sido dado por Deus a Jacó, neto de Abraão. Posteriormente, Jacó teve 12 filhos, cujos descendentes formaram as 12 Tribos de Israel, os “israelitas”.
Escolhidos para representar a “Nação Santa”, é com esse povo que Deus faz a aliança no Monte Sinai, por meio de Moisés, entregando os Dez Mandamentos.
Na narrativa bíblica, a terra de Israel (Ou Canaã) é um território que Deus prometeu para Abraão e seus descendentes. Em Gênesis 15:18, a promessa idealizada vai “desde o rio do Egito até o grande rio Eufrates”, mas na prática histórica, foi da região entre o Rio Jordão e o Mar Mediterrâneo, bem menor do que prometido.
Quando os israelitas saem do Egito e conquistam “Canaã”, cria-se uma monarquia que depois vem a se dividir nos reinos de Israel (norte/Samária) e Judá (Jerusalém). Esses reinos são destruídos, respectivamente, pelo Império Assírio (722 a.C.) e pela Babilônia (586 a.C.).
Para o sionismo religioso, o Estado de Israel moderno é o cumprimento literal das profecias bíblicas de retorno do povo judeu à sua terra ancestral. Para as teologias cristãs e islâmicas, o conceito bíblico de Israel é espiritual ou messiânico.
Muitas igrejas cristãs consideram que a “aliança” (a Igreja como o “Israel espiritual”), se expandiu para todos os seguidores de Jesus, enquanto alguns judeus mais ultraortodoxos acreditam que um Estado judeu só poderia ser reconstruído após a chegada do Messias enviado por Deus.

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Estudante de Jornalismo da Anhembi Morumbi, com fluência em inglês e interesse em jornalismo político e internacional. Atualmente, atuo como programador no Centro de Exibição da TV Globo e desenvolvo projetos de produção de conteúdo jornalístico para plataformas digitais. Além disso, também trabalho em gestão de conteúdo para redes sociais.

